Após um mês em Angola, já era tempo de escrever qualquer coisa aqui no blog. Os insultos diários dos meus amigos assim o obrigam!
Para quem estava habituado a ter na paisagem do quotidiano a companhia quase exclusiva de pinheiros e eucaliptos, eis que o cenário muda, e observo diariamente embondeiros no caminho para Cacuaco. Engraçado – segundo a informação que paira na net acerca desta árvore, os deuses decidiram plantá-la com as raízes viradas para cima, como forma de castigo pela sua inveja.
Acho que é assim que nos sentimos quando chegamos a este país. Não é que não saibamos onde estão as nossas raízes. Isso não está em causa.. Ficamos sim atordoados e não sabemos onde estão os nossos ramos e tronco. Tudo é diferente e muita coisa nos é estranha. As nossas balizas têm de ser ajustadas, e a nossa percepção e sensibilidade para aquilo que considerávamos normal e corrente tem de ser afinada. Não é para melhor nem para pior. É para outros padrões. Como conduzirmos toda a vida na faixa da direita e de repente termos de conduzir à esquerda.
Dizem que a saudade é um sentimento lusitano. Não sei se não será de outros também. Mas neste momento sinto-o pretenciosamente como meu. Aqui à distância podemos aferir acerca de todos aqueles que nos são chegados. Família, amigos, tomam uma posição ainda mais cimeira. Ficamos a querer lembrar-nos de tudo. Gargalhadas, cheiros, vozes. Enfim, acho que faz tudo parte do processo. Ainda ontem me fartei de rir ao ver o programa da Liga dos Últimos na RTPi. Não é que eram só caras conhecidas da minha terra, a Gafanha da Nazaré?
Como devem imaginar, a grande quantidade de portugueses por estas paragens, ajuda bastante à integração e adaptação ao país. Por aqui, e com a nossa malta da TUA (Tuna Universitária de Aveiro) temo-nos reunido para tocar umas modas ao fim de semana. Se em Portugal sabe bem fazê-lo, aqui a sensação é exponenciada. Nestas noites e com a desculpa da música, lá se conversa com pessoas novas. Tem dias que até parece um daqueles destinos tipo Sanxenxo, onde se encontra gente conhecida que nunca imaginaríamos.
De resto, há aqui coisas muito engraçadas. Aqui o “não” a seguir ao “ainda” não se usa muito… Quando perguntamos: “Já conseguiu aquilo que lhe tinha pedido?”, temos como reposta “Ainda…”. Acho isto um exemplo de poupança muito bom. Para quê estar a utilizar mais palavras e tinta, quando se consegue quase o mesmo efeito só com uma?
Bem, e antes que comece a tornar-me chato, e porque há tema de escrita para mais posts, deixo-vos só um link do Youtube, de uma música soberba que fica no ouvido. “Vai morrer, mas vai morrer curado…” . Eu já me ri muitas vezes a ver o vídeo…VÍDEO-CLICAR
Perguntam vocês: “É hoje que metes fotos no blog?”, ao que eu respondo: “Ainda…”
Até já!
Woofer
Para quem estava habituado a ter na paisagem do quotidiano a companhia quase exclusiva de pinheiros e eucaliptos, eis que o cenário muda, e observo diariamente embondeiros no caminho para Cacuaco. Engraçado – segundo a informação que paira na net acerca desta árvore, os deuses decidiram plantá-la com as raízes viradas para cima, como forma de castigo pela sua inveja.
Acho que é assim que nos sentimos quando chegamos a este país. Não é que não saibamos onde estão as nossas raízes. Isso não está em causa.. Ficamos sim atordoados e não sabemos onde estão os nossos ramos e tronco. Tudo é diferente e muita coisa nos é estranha. As nossas balizas têm de ser ajustadas, e a nossa percepção e sensibilidade para aquilo que considerávamos normal e corrente tem de ser afinada. Não é para melhor nem para pior. É para outros padrões. Como conduzirmos toda a vida na faixa da direita e de repente termos de conduzir à esquerda.
Dizem que a saudade é um sentimento lusitano. Não sei se não será de outros também. Mas neste momento sinto-o pretenciosamente como meu. Aqui à distância podemos aferir acerca de todos aqueles que nos são chegados. Família, amigos, tomam uma posição ainda mais cimeira. Ficamos a querer lembrar-nos de tudo. Gargalhadas, cheiros, vozes. Enfim, acho que faz tudo parte do processo. Ainda ontem me fartei de rir ao ver o programa da Liga dos Últimos na RTPi. Não é que eram só caras conhecidas da minha terra, a Gafanha da Nazaré?
Como devem imaginar, a grande quantidade de portugueses por estas paragens, ajuda bastante à integração e adaptação ao país. Por aqui, e com a nossa malta da TUA (Tuna Universitária de Aveiro) temo-nos reunido para tocar umas modas ao fim de semana. Se em Portugal sabe bem fazê-lo, aqui a sensação é exponenciada. Nestas noites e com a desculpa da música, lá se conversa com pessoas novas. Tem dias que até parece um daqueles destinos tipo Sanxenxo, onde se encontra gente conhecida que nunca imaginaríamos.
De resto, há aqui coisas muito engraçadas. Aqui o “não” a seguir ao “ainda” não se usa muito… Quando perguntamos: “Já conseguiu aquilo que lhe tinha pedido?”, temos como reposta “Ainda…”. Acho isto um exemplo de poupança muito bom. Para quê estar a utilizar mais palavras e tinta, quando se consegue quase o mesmo efeito só com uma?
Bem, e antes que comece a tornar-me chato, e porque há tema de escrita para mais posts, deixo-vos só um link do Youtube, de uma música soberba que fica no ouvido. “Vai morrer, mas vai morrer curado…” . Eu já me ri muitas vezes a ver o vídeo…VÍDEO-CLICAR
Perguntam vocês: “É hoje que metes fotos no blog?”, ao que eu respondo: “Ainda…”
Até já!
Woofer
Wooferzinho,
ResponderEliminarbons olhos te leiam, amiguinho!
Qt ao vídeo, 4 palavras: FAN-TÁS-TI-CO!!! loooool
Ó pá, venham levar-me convosco. Venham levar-me convosco. Venham levar-me convosco, meus irmãos, pra terra das árvores (que não são aquelas do "Jesus Cristo é o jardineiro"...) de raízes ao léu! Isto pq depois da 1ª experiência com um curso CEF acho que o mundo aqui está muito mais ao contrário que o mundo aí. Parece-me que conduzir à esquerda já é coisa de meninos por estas bandas!
Beijos para os TU(g)As todos e não deixem de escrever cenas várias.
(Xiça penico que vocês são malta das engenharias mas são da velha guarda: escrevem bué bem, bacanos! Até dá vontade de chorar, lindiquinhos...)
Saudade é a ausência dos presentes, não é verdade!
ResponderEliminarOlha, eu tb já tenho saudades vossas!
Um dia destes junto-me com a Laura e vamos até aí. Mais a mais nós já estamos habituadas a ser guias de tunos, né Laura? :))
jinhos